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FEBRE E CONVULSÃO FEBRIL |
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Febre:
A febre é um sinal muito frequente na faixa etária pediátrica e uma importante causa de
preocupação para os pais.
A temperatura corpórea nos seres humanos deve ser e é normalmente mantida entre
valores estreitos, próximos a 36,0 a 37,0° C, através de centro de controle localizado no
cérebro, que funciona como eficiente termostato. Variações diurnas normais da
temperatura ocorrem, sendo habitual a temperatura ser até 1° C menor no início da manhã
do que a observada no final da tarde e início da noite.
Variações da temperatura ambiente suscitam respostas do organismo que fazem com que
a temperatura corpórea se mantenha nos limites normais.
Crianças muito pequenas, especialmente no primeiro mês de vida, podem ser mais
vulneráveis a grandes variações da temperatura externa, o que, entretanto, não pode
justificar grandes variações de temperatura corpórea, afinal, somos animais de “sangue
quente”.
A febre é uma elevação anormal da temperatura corpórea decorrente de um novo ajuste
no termostato.
Substâncias produzidas pelo próprio organismo, em algumas circunstâncias, e,
principalmente, algumas produzidas por agentes infecciosos, como os vírus e as bactérias,
causam o reajuste do termostato e o organismo lança mão de mecanismos diversos de
produção e conservação de calor para que a temperatura corpórea se mantenha elevada.
Entre estes mecanismos, os arrepios, os tremores, a vontade de ficar sob cobertas, agasalhar-se, são alguns exemplos.
A administração de vacinas e o uso de algumas drogas são exemplos de possiveis causas de febre sem infecção. A febre causada em resposta aos agentes infecciosos é, entretanto, a mais comum na criança.
A febre não deve ser vista como um problema em si, uma vez que, observa-se uma queda na multiplicação dos micróbios quando a temperatura corpórea eleva-se. Entretanto, a febre deixa a criança, especialmente as pequenas, com menor atividade, mal estar e aspecto de mais adoentado, o que atrapalha a avaliação sobre se os sintomas se devem à febre ou se são conseqüência do problema que a está desencadeando.
A febre pode ter um "comportamento" que pode auxiliar o médico no diagnóstico, podendo
ser mais característica de um ou outro tipo de doença, mas o padrão da febre não é
suficiente para definir um diagnóstico.
O tratamento da febre, com anti térmicos, tem a função de reajustar o termostato e tem o
papel de aliviar este sintoma e minimizar desconfortos, como dores, mas não modifica o
curso das doenças infecciosas. Crianças e adolescentes saudáveis com febre com
temperatura inferior a 38°C não requerem tratamento. Em situações especiais como
existência de doença cardíaca ou neurológica ou nas crianças com antecedente deconvulsão febril o tratamento com anti térmicos em febres mais baixas é benéfico.
Sempre que indicado, administrar o medicamento anti térmico e apenas adotar medidas
para favorecer a perda de calor pelo organismo cerca de 30 ou 40 minutos após.
A tentativa de abaixar a temperatura corpórea sem antes alterar o termostato causa
intenso desconforto.
Os anti térmicos seguros para as crianças são o paracetamol e a dipirona, nas doses,
intervalos e apresentações habitualmente recomendados pelo médico e baseados na idade
e no peso da criança. O uso de componentes contendo o ácido acetil salicílico (AAS) não
está indicado, assim como o uso de anti inflamatórios deverá se apoiar em indicação e
prescrição médicas, pois poderá distorcer sintomas importantes como sinais de alerta aos
pais e aos médicos.
Uma questão que sempre surge é sobre o melhor momento para que seja realizada uma
consulta médica, para que a criança seja examinada. Não há uma fórmula exata, mas
algumas dicas são importantes:
• Crianças menores do que 3 meses de vida, sempre.
• Crianças com menos de 3 anos e principalmente com menos de 1 ano de vida e segundo
dia de febre.
• Crianças acima de 3 anos e febre com duração superior a 2 dias, especialmente sem
sinais de origem do sintoma.
• Crianças com aparência de muito doente (“caida”, “prostrada”, “hipoativa”),
especialmente após o uso de antitérmico e controle da febre, independente da duração da
febre.
• Crianças com febre alta e sem sinais da origem da doença.
• Crianças com doenças de base.
• E, um critério muito importante, quando a mãe ou o pai acharem que algo não vai bem.
Convulsão febril:
A convulsão febril é a forma mais freqüente de convulsão durante a infância e tem
excelente prognóstico. Entretanto, toda criança com convulsão associada a febre deve
ser cuidadosamente examinada e investigada à procura de outras causas para a febre. A
convulsão febril é rara antes dos 9 meses de vida e após os 5 anos de idade. A idade de
maior incidência está entre os 14 e os 18 meses de vida. Existe forte relação com história
familiar (irmãos e pais), o que sugere uma predisposição genética. A convulsão que ocorre
nos episódios de febre em crianças com histórico de convulsão não é chamada convulsão
febril.
Um episódio de convulsão febril habitualmente está associado a aumentos muito rápidos
da temperatura até acima de 39°C.
A repetição de episódios de convulsão febril ocorre em 30 a 50% das crianças.
A convulsão febril não leva a qualquer comprometimento futuro do desenvolvimento
intelectual.
O uso de anti térmicos e o controle da febre nem sempre podem impedir a convulsão febril,
que muitas vezes ocorre antes mesmo de a febre ter sido observada, pois a temperatura
pode ascender muito rápido. O importante é proteger a criança durante a convulsão e
levá-la para avaliação médica.
A prevenção de outros episódios através do uso de medicamentos anticonvulsivantes não
é habitualmente recomendada, sendo reservada a situações especiais. A forma de
controlar a febre em novas situações de infecção deve ser orientada pelo médico, mas
sempre levando-se em conta que a convulsão febril é benigna (apesar de assustar muito
os pais), que após os 5 anos de idade tende a desaparecer e que devemos usar medidas
que abaixem a temperatura (anti térmicos e medidas físicas, como compressas e banho),
reforçando, entretanto, que os pais nem sempre terão o controle total da temperatura nos
episódios febris, não devendo sentirem-se culpados caso novo episódio de convulsão
venha a ocorrer.
E, muito importante, não julgue suas próprias dúvidas. Se houver, sempre tenha a
liberdade de conversar com o médico de seu filho.
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Pode-se marcar consulta com o Dra. Sílvia Ilbidi, pediatra, na recepção da Clínica Deckers.
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