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- Parte I: O que é a asma ?
- Parte II: O que acontece com as vias aéreas durante uma crise de asma ? »» (clique aqui para visualizar esses tópicos)
- Parte III: Qual o tratamento adequado para a asma ? »» (clique aqui para visualizar esses tópicos)
Asma é uma doença inflamatória crônica que acomete as vias aéreas tornando-as hipersensíveis. É caracterizada por episódios recorrentes de tosse, chiado, falta de ar. Mais do que uma simples doença, a asma é uma resposta inadequada do indivíduo quando em contato com agentes diversos (alérgenos, vírus, cigarro, etc). A mucosa respiratória, uma vez agredida por um destes agentes, envia um sinal para a medula óssea para que esta produza células especiais de defesa. A medula óssea interpreta este sinal como se o aparelho respiratório estivesse sendo invadindo por microorganismos e manda as células especiais que provocarão um processo inflamatório nas vias aéreas (brônquios). Este processo inflamatório é responsável pelos sintomas da asma. Ele ocasiona edema (inchaço) da parede interna dos brônquios e diminuição de sua luz dificultando a passagem do ar. Os músculos que circundam os brônquios ficam hipersensíveis contraindo-se a qualquer estímulo. A contração destes músculos (broncoespasmo) pode acentuar ainda mais a obstrução dos brônquios. A asma, portanto não é apenas uma sucessão de crise, mas uma doença crônica onde a inflamação dos brônquios está sempre presente, quando a criança entra em crise. Quais são os sintomas da asma ? • Tosse A intensidade e freqüência destes sintomas podem variar conforme a pessoa e a época e resultar numa crise leve, moderada ou grave de asma. Crises fortes são facilmente diagnosticadas, porém sintomas leves mesmo que frequentes podem passar despercebidos. Sempre que tiver algum destes sintomas, procure o médico e siga as instruções. Os sintomas da asma podem apresentar períodos de exacerbação, como de remissão ou estabilização. Mais importante que saber se sua asma desaparecerá, é reconhecer precocemente os sintomas e agir no sentido de controlá-los. O que é bronquite ? Bronquite é um termo usado para descrever um quadro de tosse e hipersecreção brônquica (tosse com expectoração) podendo ou não ser acompanhado de chiado. A bronquite aguda geralmente é decorrente de um processo infeccioso dos brônquios e a bronquite crônica, na maior parte dos casos, é seqüela de tabagismo. Na prática clínica diária usa-se o termo bronquite em episódios recorrentes de chiado que ocorrem um a dois dias após o resfriado comum. Freqüente nos primeiros três anos de vida, este quadro pode desaparecer (chiado transitório na infância) ou persistir. Nestes casos as crianças são portadoras de asma. Chiado nos primeiros 2 anos de vida é muito freqüente, especialmente no menino. A minoria delas tem asma. Grande parte apresentará melhora do quadro após os 3 anos. Nos casos de sintomas mais intensos ou persistentes é importante afastar outras patologias pulmonares crônicas para impedir que a criança piore pela deterioração do pulmão. Como funciona nosso aparelho respiratório ? A principal função dos pulmões é prover uma superfície ampla para que o oxigênio do ar possa difundir-se para o sangue e ser levado às outras partes do corpo. Ao mesmo tempo, o gás carbônico produzido pelas células do corpo é trazido pelo sangue venoso e expelido para fora durante a expiração. O ar entra pelo nariz onde é umidificado, aquecido e filtrado para não danificar as vias aéreas inferiores (brônquios e bronquíolos). É posteriormente conduzido até a traquéia e brônquios. Estes vão se ramificando em tubos cada vez mais estreitos, curtos e numerosos até chegarem aos alvéolos, onde ocorrem as trocas gasosas. Além desta superfície de trocas gasosas existe um sistema de tubos (traquéia, brônquios e bronquíolos) que leva o ar do meio ambiente para os alvéolos e vice-versa. A maior parte das vias aéreas é circundada por uma faixa de músculo, que tem uma função protetora, de maneira que, se um gás potencialmente tóxico é inalado, esta musculatura se contrai para impedir sua entrada nos pulmões. Todos nós experimentamos certa dificuldade em respirar e, as vezes, tossimos frente a um ar muito poluído, fumaça ou ar muito frio. Como a asma afeta os pulmões ? Como já dissemos, a asma altera as vias aéreas pulmonares tornado-as hiperirritáveis. A musculatura brônquica passa então, a contrair-se quando exposta frente à inúmeras situações adversas. Por exemplo, pequeníssima quantidade de fumaça de cigarro, que pouco afetaria um indivíduo normal, causará tosse e chiado numa criança asmática. Poderíamos fazer uma comparação com pele queimada pelo sol que se torna extremamente vulnerável a qualquer fator agressor. A compreensão deste fenômeno (ao qual chamamos de hiper-reatividade brônquica) é de importância fundamental, pois quanto maior for o grau de hiper-reatividade maior será a gravidade da doença. Pesquisas recentes sugerem que hiper-reatividade brônquica está relacionada com o grau de inflamação presente nas vias aéreas (o que também acontece na pele queimada). Quanto maior for o processo inflamatório presente nas vias aéreas, mais sensíveis estas se tornarão e mais grave será a asma. Hoje parece estar claro que o problema de base na asma é a presença deste processo inflamatório sendo que o broncoespasmo (contração da musculatura) é apenas uma conseqüência da inflamação. Na crise de asma as vias aéreas ficam parcialmente obstruídas dificultando a livre passagem do ar. Para conseguir movimentar o ar pelos brônquios estreitados, as crianças precisam fazer um grande esforço respiratório, o que leva a um quadro de canseira e falta de ar.
Esta obstrução é causada por três fatores: A asma pode aparecer em qualquer idade, mas, geralmente, inicia-se antes dos 5 anos de idade. A freqüência e gravidade dos sintomas variam de criança para criança e de época para época. De maneira geral, podemos dividir as crianças asmáticas em quatro grupos: O quadro clínico da asma é também determinado pela idade da criança: a) Asma do lactente - geralmente os sintomas aparecem entre o terceiro e sexto mês de vida. É comum um quadro de resfriado seguido de chiado ou tosse um a dois dias depois. Em casos de sintomas persistentes, é necessário afastarmos outras patologias do trato respiratório. Nas crianças pequenas, até três anos de idade, as infecções virais de vias aéreas superiores (resfriados, gripes e infecções de garganta) são fatores desencadeantes mais freqüentes. A alergia tem um papel importante na criança maior. Entre os alérgenos mais comuns podemos citar: o pó doméstico (ácaro), fungos (bolor), penas, pelos e descamação de animais de estimação, piretro ( substâncias contidas em inseticidas e ceras), lã, paina, capim e pólen de plantas. As substâncias irritantes de vias aéreas também são nocivas: poluição, fumaça, desinfetantes, perfumes, produtos de limpeza e em especial a fumaça do cigarro. A mudança brusca de temperatura (mudança de tempo, friagem e ingestão de alimentos gelado) é freqüentemente relacionado ao início de uma crise. Eventualmente, não conseguimos identificar qualquer fator desencadeante por mais que procuremos. Dizemos que as crises são desencadeadas por causa desconhecida. Em resumo, podemos dizer que são muitos os agentes desencadeadores de crise asmática e que a criança pode ser sensível à vários agentes ao mesmo tempo, tanto agora como no futuro. Portanto, ela não deve ser exposta a substâncias potencialmente alergênicas desnecessariamente. É interessante lembrar que fatores não alérgicos também desencadeiam crise em crianças portadoras de “asma alérgica’’”. Muitos pais, ansiosos em prevenir uma crise em seu filho, procuram um fator desencadeante único ou uma alergia específica, de modo que, afastado tal agente resolveriam o problema de seu filho. No entanto, isto raramente é verdadeiro. A asma é de longe a causa mais comum de chiado e tosse recorrentes na infância. Porém, há outras patologias pulmonares que levam a quadros clínicos semelhantes. Sabemos que a asma e outras doenças alérgicas como eczema e rinite são mais freqüentes em crianças com pais ou parentes próximos alérgicos (portanto, herdada por fatores genéticos). Uma criança com história familiar positiva para asma tem maior probabilidade de desenvolver a doença. Por outro lado, muitas crianças asmáticas não têm antecedentes familiares.O que é broncoespasmo induzido pelo exercício ? Chamamos de Broncoespasmo Induzido pelo Exercício (BIE) ao aparecimento de broncoespasmo (chiado ou tosse) após a realização de um exercício intenso. A maioria das crianças asmáticas experimenta algum grau de obstrução brônquica durante ou após o exercício físico. Todavia este efeito é temporário (dura apenas 20 a 40 minutos), pode ser prevenido com o uso de medicamentos e aquecimento antes de iniciar-se a atividade física. O BIE não torna a asma mais grave. A prática regular de atividades físicas é indispensável para a saúde tanto da criança quanto do adulto. Além deste aspecto, as crianças relacionam-se entre si através de jogos e atividades esportivas. Portanto, garantir a possibilidade de participação nestas atividades previne o isolamento social da criança asmática. Vários trabalhos têm demonstrado que os asmáticos apresentam um condicionamento físico menor se os comparamos a um grupo controle de pessoas não-asmáticas. Porém, este mau condicionamento é devido muito mais, à inatividade física do que à gravidade da doença. A aplicação de um questionário em pacientes asmáticos mostrou que muitos consideravam a asma como empecilho para melhorem seu condicionamento físico e que nunca receberam qualquer orientação sobre o tipo de exercícios físicos que lhes seriam benéficos. Portanto, as crianças asmáticas não devem evitar as atividades físicas nem serem dispensadas das aulas de educação física. Devem, sim, ser incentivadas a praticar esportes no seu grau de habilidade, pois se beneficiarão psicológica e fisicamente da prática regular de exercícios físicos. a) Não começar atividades físicas quando a criança estiver em crise; Deve ficar claro que asma não tem cura. Mas pode haver remissão espontânea dos sintomas por muitos anos ou até a vida toda. Do mesmo modo, é possível que os sintomas ou crises voltem na idade adulta. Independente de qualquer previsão, toda criança asmática deve receber tratamento adequado para sua asma, de modo que possa desfrutar de uma infância normal e desenvolver plenamente suas aptidões. As crises de asma raramente aparecem de repente. Geralmente são precedidas de sinais ou sintomas que indicam deterioração do quadro clínico (cansaço fácil às atividades diárias, tosse noturna persistente, interrupção do sono por sintoma de asma, aumento na freqüência de uso de broncodilatadores, etc). Podemos classificá-las em crises leves, moderadas e graves de acordo com os sintomas e as medidas obtidas pelo monitor de pico de fluxo expiratório (peak-flow). Crise moderada: o cansaço é intenso e a criança só consegue falar frases curtas. O chiado é facilmente audível, nota-se o uso dos músculos acessórios da respiração e tiragem supraesternal (afundamento da região inferior do pescoço junto ao esterno, com os movimentos respiratórios). A posição sentada ou deitada com travesseiro alto lhe é mais confortável. A leitura do peak-flow está entre 50% e 70% do seu melhor resultado. Crise grave: apresenta falta de ar intensa, uso dos músculos acessórios da respiração, tiragem de fúrcula e da região subdiafragmática. A criança assume a posição sentada e reclinada para frente com os ombros anteriorizados; ela só consegue falar palavras. A leitura do peak-flow é inferior a 50%. O efeito do broncodilatador dura menos que duas horas. Qual o tratamento adequado para a asma ? O tratamento da asma deve ser preventivo e não se restringir às crises. Um tratamento adequado deve proporcionar ao paciente asmático: Para alcançar os objetivos do tratamento, o paciente deve conhecer e seguir o ABC da asma.
A - saber o que piora a asma e o modo de evitar os fatores desencadeantes da crise. B – usar os medicamentos apropriados para o seu caso, com a técnica correta, como o recomendado pelo médico.C – saber reconhecer quando a asma está saindo de controle e o modo de evitar crises graves. A - saber o que piora a asma e o modo de evitar os fatores desencadeantes da crise. A asma pode ser desencadeada por vários fatores: alérgicos substâncias ou produtos que causam irritação das vias aéreas, infecções virais das vias aéreas superiores, fatores emocionais, uma atividade física intensa e alguns medicamentos. Sempre que tiver sintomas de asma, procure lembrar o que fez , com que substância teve contato e o que aconteceu nesse dia e na véspera. Alguns cuidados são necessários em nossa rotina para evitar a exposição a tais fatores. É desejável: Considere quando necessário:
O aerossol, também conhecido como bombinha, permite que a droga seja administrada diretamente no pulmão. Desta forma sua ação é mais rápida e sua dosagem efetiva é menor. Existem também medicamentos que vem em pó e necessitam de outros dispositivos que não o Aerossol para serem usados. Os dispositivos usados em nosso meio são: turbuhaler, diskus e aerolizer. Qualquer medicação inalatória deve ser usada de forma correta para se obter os efeitos desejados. Com relação aos remédios para asma, lembrar sempre: Os broncodilatores de alívio devem ser usados quando existem sintomas, e não de forma regular. Seu uso freqüente indica que a asma esta fora de controle. Anote num diário seus sintomas, medicamentos utilizados e meça o pico de fluxo expiratório (peak-flow). Essas informações serão úteis para você e seu médico reconhecerem se sua asma está sob controle. Este deve ser um procedimento habitual nas duas semanas anteriores à próxima consulta de rotina (ou seja, consulta regular de acompanhamento), ou deve ser feito imediatamente quando se reconhece uma exacerbação, para obter informações cronológicas a serem dadas ao médico e para servir como guia das consultas a serem tomadas.
O papel das atividades físicas no controle da asma: As atividades físicas devem ser incentivadas, tanto na criança como no adulto, como promotoras de saúde. O exercício físico pode, todavia, desencadear sintomas de asma que interferem no desempenho físico do individuo asmático. O broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE) muitas vezes impede sua participação nas atividades físicas provocam mais sintomas que outras, por exemplo, a corrida livre provoca mais sintomas que a campanha e a natação. É importante salientar que, especialmente na adolescência, as atividades esportivas são mais intensas e competitivas e muitas vezes os asmáticos se sentem preteridos, considerando-se menos aptos. Este comportamento leva-os a evitar as atividades e, ao final de um certo tempo, tornam-se realmente menos capazes. O asmático bem orientado do ponto de vista terapêutico não tem restrições para praticar exercícios físicos. Evitar mergulho em profundidade. Para que o asmático possa praticar atividades físicas/esportivas, é necessário que sua asma esteja sob controle. Há também medicamentos que previnem o BIE. Os objetivos de um programa de atividades físicas adaptadas ao paciente asmático são: • corrigir alterações posturais; • ensinar estratégias respiratórias • melhorar o condicionamento físico geral; • melhorar ou manter a força muscular; • melhora a auto-imagem e a autoconfiança. A atividade física é importante na criança, pois: • proporciona experiência básica de movimento para desenvolvimento de coordenação, agilidade, equilíbrio; • proporciona oportunidades de relacionamento, seja no brincar ou no engajamento em atividades esportivas, prevenindo o isolamento psicológico e social; • previne a osteoporose. A atividade física é importante no adulto, pois: • mantém as qualidades físicas básicas: força muscular, elasticidade e mobilidade; • melhora o desempenho cardíaco e a capacidade aeróbia; • melhora o condicionamento físico; • diminui depósitos de gordura; • protege de estresse; • diminui o risco de osteoporose. Asma e problemas emocionais: As crises de asma, muitas vezes freqüentes e inesperadas, provocam medo e angústia no asmático e em sua família. Estas emoções podem agravar ou desencadear a crise, impedir o cumprimento do tratamento médico adequado e, no caso da criança, prejudicar seu desenvolvimento emocional. Como devem agir as pessoas que se relacionam com o asmático ? No relacionamento cotidiano, devem ser observados e respeitados alguns aspectos que favorecem o asmático. São eles: • Compreender que a asma não tem cura, mas tem controle se for cumprido um tratamento adequado. • Evitar a espera permanente de uma próxima crise. • Não buscar soluções mágicas ou tratamentos alternativos que levam a frustrações constantes, aumentando o medo e a angústia. • Evitar a superproteção. • Estimular a independência, como a liberdade para brincar, a prática de esportes, passei • Insistir para que a criança freqüente a escola de forma regular. Da mesma forma, o adulto deve freqüentar o trabalho e demais atividades, de forma constante. • Não mudar a vida da família em função da doença da criança, ou do paciente. • Evitar com as crianças atitudes inadequadas, como: dormir com os pais, presentes e atenção especial em função da doença, chantagens emocionais, proibições desnecessárias. Os pais devem procurar ser pacientes com criança e evitar desentendimentos sobre a doença. • Procurar informar-se sobre a asma para sentir-se seguro diante das crises e saber que atitude tomar. • Em situações de crise, manter a calma, seguindo o plano de orientação do médico.
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